domingo, 16 de maio de 2010


Texto feito para Tati.


Anna andava pela rua com as mãos lotadas de sacolas, quase não conseguia segura-las.

Cada sacola dizia ao fundo as marcas das roupas que costumava comprar e exibir por onde passava.

Das compras, direto para o trabalho. Mal colocou os pés dentro de seu departamento, quando se deparou com Joana, ela estava desesperada.

-Anna, estamos perdidas! –Joana falou demonstrando sue nervosismo.

-Por quê? O que houve Jô? –Após fazer algumas compras, ela estava calma, não deu muita importância.

-A empresa, vai fechar em breve!

Anna olhou ao seu redor, as pessoas empacotavam suas coisas, começou a ficar em choque, mas nada pode fazer além de arrumar seus objetos pessoais em caixas, junto aos outros.

No final de seu expediente, Anna voltou para o seu apartamento, morava com sua amiga Sophie, dividiam as despesas. As duas começaram a conversar na hora do jantar.

-Como foi o dia hoje Anna? –Perguntou Shopie, entusiasmada.

-Maravilhoso, enquanto fazia umas comprinhas, algumas roupas novas, sapatos. –Ela chegava a suspirar de tanta satisfação. Em compensação, cheguei ao trabalho com a notícia de que a empresa vai fechar. –Anna mudou de semblante em questão de segundos.

-Não posso acreditar Anna, eu sinto muito. Você vai conseguir um emprego melhor, vai ver só. –Shopie até que tentou ajudar.

-Como vamos pagar o aluguel desse mês Sophie? –Ela colocava as mãos na cabeça, não conseguia pensar em uma solução.

-Acalme-se Anna, eu faço as regras aqui, eu pago o aluguel desse mês, depois, quando encontrar um novo emprego e estiver se estabilizando, paga a sua metade. – Ela sorrio.

-Obrigada Shopie! Você não imagina o quanto me sinto aliviada. Vou lhe comprar um lindo presente, tem uma liquidação na loja (...) – Anna falava empolgada, quando em foi interrompida.

-Anna, você acabou de perder o emprego, ainda está pensando em gastar? Precisa parar com isso imediatamente. – Shopie demonstrou firmeza em suas palavras.

-Eu não consigo, por mais que eu tente a vontade de comprar é mais forte do que eu. –Anna mostrava em sua face estar frustrada.

As duas foram para a sala ainda falando sobre o assunto, Shopie um pouco mais sensata e realista, abria algumas contas que chegará pela manhã.

-Trezentos e vinte dólares em equipamentos de mergulho?

-Sim, eu achei interessante comprá-los para uma possível viagem. –Anna falava um pouco sem graça.

-Setecentos e oitenta e sete dólares em lingerie. Anna, por Deus, quando você vai cair na real? –Shopie estava começando a ficar irritada.

-Lingerie é um dos direitos de todas nós mulheres, eu precisei comprar, eram lindas. –Anna falava sem perceber a gravidade do problema.

As duas estavam sentadas no chão da sala, papéis ao redor delas era o que não faltava. Shopie calculava o total a pagar enquanto Anna pensava em consumir ainda mais.

Essa noite Anna passou quase em claro, preparando um currículo, sairia em busca de novas oportunidades logo pela manhã, Shopie, dormia em seu quarto.

No dia seguinte, acordaram cedo, saíram juntas de casa, Shopie iria para seu trabalho enquanto Anna participaria de uma entrevista de emprego. Passaram em uma lanchonete para tomar o café da manhã e em seguida entraram no banheiro para retocar a maquiagem. Shopie lia o currículo enquanto Anna usava o banheiro.

-Fluente em finlandês, experiência em atendimento com público? Desde quando sabe tudo isso Anna? Pensei que tivesse experiência só em jornalismo. –Shopie não conseguiu segurar a gargalhada.

-Qualquer pessoa exagera no currículo. –Anna tentava se explicar dando risada da situação.

Saíram do banheiro da lanchonete e seguiram seus rumos, Shopie para seu trabalho e Anna a entregar seu currículo em uma empresa de finanças. Anna já tinha uma idéia de onde começar seu novo emprego. Pegou um táxi e parou no centro da cidade onde morava.

Chegando até a empresa entregou seu currículo e aguardou alguns minutos na sala de esperara, junto a outras pessoas que também aguardavam respostas de emprego.

-Senhora Anna. –Uma moça a chamou para que entrasse em uma sala, começariam a entrevista.

-Sim, sou eu. –Anna levantou-se da cadeira onde estava sentada, foi até a moça que aguardava em frente à porta.

-Olá, meu nome é Cornelia, queira entrar Anna.

-Obrigada. –Anna entrou na sala.

Cornelia sentou em uma cadeira, colocou o currículo de Anna em cima da mesa e começaram a conversar.

-Tenho uma vaga de emprego no departamento de economia aqui da empresa, vi no seu currículo que tem experiência, acha que estaria apta para o cargo?

-Sim, claro. Trabalhei durante um ano nesse setor em outra empresa.

-Pra mim você já está contratada, gostei do seu currículo, me parece ser muito competente e experiente em diversos setores.

-Você está mesmo falando sério? Serei grata se conseguir essa vaga. –Anna sorria, pensava que foi mesmo bom acrescentar algumas “coisinhas” em seu currículo.

As duas conversaram por algum tempo, falavam sobre pagamento, horários e responsabilidades.

-Essa vaga é sua Anna, espero fazer um bom trabalho. –Estendeu sua mão para cumprimentá-la.

-Obrigada, farei um bom serviço. –Sorrio.

No mesmo dia Anna começou a mostrar o que sabia fazer de fato, por sinal executou perfeitamente suas tarefas dentro da empresa. Ali permaneceu, trabalhando todos os dias, aperfeiçoando seus conhecimentos em finanças. Aprendeu a trabalhar com a economia de sua empresa, não parecia à mesma compulsiva por compras de antes.

Mas isso, era somente em seu trabalho, tudo o que falava sobre economizar, comprar por preços acessíveis e dividir o dinheiro para finalidades certas, era teoria em sua vida.

Todos os dias Anna chegava em casa com algo novo, em dia de pagamento eram sacolas que não se acabavam, roupas e sapatos das mais diversas marcas, óculos, pulseiras, sem contar acessórios que ela acabava nunca usando.

Shopie estava sempre com sua calculadora nas mãos, fazendo contas, dividindo seu dinheiro, fazendo anotações, reservando a quantia certa para o aluguel. Preocupada, responsável e a cada dia um pouco mais irritada com os gastos excessivos de Anna.

Em certa noite, após Anna chegar com mais sacolas da rua, Sophie não agüentou, chamou-a para conversar. As duas sentadas na cama tentavam entrar em um acordo.

-Anna, você precisa perceber que é hora de parar, olha só o seu quarto, não tem onde colocar caixas, suas roupas mal cabem nos guarda-roupas.

-É mais forte do que eu.

-Você sempre fala isso, cai na real Anna, assim não da para morar ao seu lado, nunca sobra dinheiro de sua parte, você sempre precisa pagar contas, eu sempre tiro parte do meu pagamento para te ajudar e ainda assim você continua gastando, cada dia mais. –Shopie quase gritava ao falar, segurava-se para manter-se relativamente calma.

-Eu sei você tem razão, me ajuda a parar Shopie, eu não consigo. –Ela quase sorri.

-Você precisa se tratar, só assim vai conseguir controlar sua vontade de comprar. –Shopie falou já pegando o telefone.

-O que vai fazer? –Anna perguntou assustada.

-Vou ligar para um lugar que trata pessoas assim, iguais a você.

Shopie ligou para uma mulher, ela era psicóloga a alguns anos e tratava casos específicos como de Anna, ela aceitou a ajudar com algumas reuniões, onde diversas pessoas conversavam, contavam como era viver a prol da compulsão por compras.

No dia seguinte, Anna faltou no trabalho, foi para sua seção de terapia.

- Boa tarde, meu nome é Anna. –Ela entrou e logo se sentou.

-Oi Anna. –As pessoas falaram em um coral.

-Por que está aqui Anna? –Perguntou à psicóloga

O primeiro passo para livrar-se de um problema é admitir que esta passando dos limites e precisava de ajuda. Foi o que Anna fez.

-Estou aqui por que sou uma compradora compulsiva, compro apenas por prazer.

-Muito bem. Fale mais como você se sente Anna.

-Sabe quando você está passando pela rua, então avista um bonitão andando e sorri... E, seu coração derrete feito manteiga quando passamos em um pão quente? Bem, é assim que eu me sinto quando passo perto de alguma loja. Então, sabe quando você consegue ficar com esse bonitão e no final pode dizer que ele é seu? Com as compras é a mesma coisa, meu coração dispara ai eu compro o que tenho vontade e no final posso dizer que é tudo meu. –Ela suspirou no final.

As pessoas prestavam atenção em tudo que ela dizia, algumas contaram sobre suas vidas também. Assim Anna passou alguns meses, trabalhando sua compulsão por compras, aprendendo a gastar e usando seus conhecimentos sobre economia não só no trabalho como em sua vida profissional também. Anna melhorou seu desempenho profissional, passou a ser mais confiante, acreditar nela mesma e em suas capacidades, conseguiu mudar e obteve reconhecimento de todos por isso. Anna testava a si mesma todos os dias passando em frente de lojas e voltando com as mãos vazias, somente com sua bolsa no ombro.

0 comentários:

Do lado de dentro

Minha foto
"Meu nome é Letícia e eu tenho vinte anos, sou estudante de psicologia e escolhi este curso pela imensa paixão por pessoas e pelo constante desejo em conhecer de forma mais profunda os seres humanos e seus mistérios. Gosto de leitura e acredito que ler é poder viajar sem sair do lugar. Romântica, mas sem papas na língua. Fascinada pela vida, pelos amigos, mais família do que nunca. Sonho em morar em um outro país para conhecer uma nova cultura, penso em casar de branco e jogar o buquê, quero que a decoração seja de girassóis. Amo o meu namorado e percebo a cada dia que fomos feitos para completar um ao outro, juntos dizemos que iremos ter dois filhos e sempre discutimos qual será o nome deles, nunca chegamos a um acordo. Acredito que o amor pode mudar as pessoas, mas viver apenas de amor não é o suficiente. Sou sonhadora, mas ainda assim tenho os meus pés no chão. Futuramente pretendo ser psicóloga organizacional, mas neurociência também me deixa balançada. Prefiro o inverno, mas quando está muito frio sinto falta do sol. Hoje eu sou quem eu sempre pensei em ser e também quem eu quero ser".

Arquivos do blog

Tecnologia do Blogger.

Um brinde a vida

A ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.

A leitura nos permite viajar

A leitura nos permite viajar